O profissional e a tecnologia
- Ivan Mouta
- 8 de jun. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de set. de 2020

Passamos por uma incrível e implacável transformação tecnológica, nunca se avançou tanto em tão pouco tempo, vivemos tempos de internet das coisas, com inteligência artificial e cognitiva interagindo conosco, sem que, às vezes, percebamos que não estamos lidando com pessoas de verdade. Assistimos isso atônitos e, muitas vezes, incrédulos. Muitos de nós somos imigrantes nessa era digital e, naturalmente, enfrentamos mais dificuldades em nos adaptarmos, uns mais, outros menos. A geração nativa nesta era está completamente integrada a todas estas inovações. No entanto, quer sejamos imigrantes ou nativos digitais, estamos no mesmo barco de, eventualmente, nos tornarmos profissionais substituíveis pela tecnologia.
A internet das coisas é a tendência de todos os objetos que nos cercam estarem conectados à internet: carros, eletrodomésticos, vestuário, câmeras. A conexão permite que os objetos operem de modo autônomo e se comuniquem entre si e uma geladeira, por exemplo, avise ao seu celular quando o leite acabar, ou avise diretamente o supermercado, que entregará o produto diretamente em sua casa. Inteligência artificial nada mais é do que computadores interagindo com os seres humanos da forma mais próxima que os humanos, ou às vezes até melhor que eles.
Inteligência cognitiva é um conjunto de habilidades que envolvem o pensamento, o raciocínio lógico, a linguagem, a capacidade de memorizar, interpretar estímulos do ambiente e a partir disso tomar determinada decisão. O que era comum apenas aos seres humanos e a algumas espécies de animais, agora, com o avanço da tecnologia, computadores e máquinas também adquiriram essa habilidade.
E agora? Devemos, então, nos desesperar? Claro que não. Devemos sim despertar para tudo isso e buscarmos, cada vez mais, nos diferenciar no que fazemos e isso só é possível com disposição e energia para alcançar novos conhecimentos, sempre com a mente aberta para a renovação, buscando interagir e utilizar os avanços tecnológicos a nosso favor. Mas, infelizmente, vivemos num completo contrassenso, onde os computadores evoluem de forma espantosa e nós não temos paciência e disposição para ler um artigo de uma página, de dois parágrafos, tudo nos cansa, tudo nos deixa impacientes ou entediados. Nunca foi tão fácil adquirir conhecimento, mas estamos perdendo muito tempo com inutilidades e coisas sem valor.
A tecnologia, em muitos casos, proporciona ao profissional mais tempo para que ele se dedique à gestão e à estratégia de seu negócio, o seu atendimento se torna mais construtivo e é possível se dedicar mais aos seus clientes e à aquisição de novos e encontrar formas de criar oportunidades de negócios.
Quem executar uma tarefa de forma repetitiva, sem entender o impacto nos outros setores da empresa e sem agregar valor ao que faz, está, certamente, fadado ao fracasso. O profissional moderno necessita estar preparado e atualizado com seu mercado, precisa ser proativo e envolvido, fazendo parte do todo e contribuindo com as demais pessoas e com o resultado da companhia.
As empresas estão, cada vez mais, investindo em tecnologia e os profissionais não têm outra escolha senão buscarem um aperfeiçoamento, se atualizando e agregando novas funcionalidades às suas atuais habilidades. A responsabilidade por aprendizagem é cada vez menos da empresa e mais de cada um de nós. Não podemos ficar parados, esperando que alguém se preocupe com o nosso desenvolvimento, quem tem a ganhar buscando e muito a perder não se empenhando nisso, somos nós, ninguém mais. A tecnologia pode e deve substituir algumas profissões, outras certamente serão criadas, o saldo de tudo isso só o futuro dirá, o que é certo é que profissionais de excelência terão espaço no mercado de trabalho e sempre serão relevantes nas empresas.
Ivan Mouta
Comentários